segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Não sei como meus avós se conheceram, nem como se apaixonaram. Não sei em qual cidade nasceram, se foi de parteira ou no hospital. Acho que não frequentaram a escola, mas não tenho certeza. Sei que decidiram vir para São Paulo para tentar uma vida melhor, e um futuro mais colorido para seus três filhos. Não sei se tiveram uma criação rígida, nem se eram pais muito severos. Não sei qual profissão eles sonhavam ser quando crianças. Nem que sonhos eles queriam ter realizado. Sei que meu avô era a pessoa mais íntegra, bondosa e honesta que já conheci na vida. Sei que sinto sua falta todos os dias. E que sempre, sempre me lembro de como ele era sábio.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ela é de leão

Mamis, a dona Lina, completou 56 primaveras, verões, outonos e invernos ontem. No auge de sua sabedoria e, por que não, beleza. Mamis é uma mulher e tanto. Exemplo mesmo. Personalidade forte, como só uma leonina poderia ter, geniosa, manhosa... Nossa convivência, por vezes, não é das mais harmônicas: conflito de gênios, fato. Mas, com ela, aprendi e aprendo muito. Da garra, da fé, do caráter, da felicidade, do jeito sério de levar a vida e, ao mesmo tempo, dançar com se ninguém tivesse lhe assistindo.

Por muitos anos enfrentou a depressão. Foram diversas crises, idas e vindas. Difícil para que estava ao redor, pior ainda para quem sentia. Momentos em que ela se transformava. Aquela mulher frágil, choramingona, insegura, cabisbaixa, em nada, nadinha, lembrava minha mãe.

Dona Lina, hoje, parece estar mais leve – e não só pelos quilos que deixou para trás... Com seus netinhos e com o Sósó (Sawyer, um yasa caramelo) expõe seu lado infantil: brinca, fala com voz suave. Com meu pai, vivem como eternos adolescentes, num casamento repleto de cumplicidade, amizade e amor – mais um exemplo. Com os filhos, ainda que firme, está sempre com os abraços abertos e o colo pronto para nos receber.

A ela, desejo saúde, luz, harmonia, felicidade, conquistas e muitas, muitas outras primaveras.
Parabéns, mãe, mulher guerreira.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

e amanhã nasce a Lavínia...

É engraçada a sensação de já amar alguém que você ainda não conhece. É como se o amor ficasse lá, guardadinho, em algum canto do coração. Pronto para o ser amado.

Foi exatamente assim quando veio o Gu, há 4 anos e meio. Uma emoção indescritível ao vê-lo pela primeira vez. Ainda todo enrugadinho, com a pele esfoliada e com um tom vermelho-rosado. Os olhinhos fechados, a mãozinha tão pequena, e o cabelo liso, ainda ralo. Mesmo antes de conhecê-lo, eu já tinha a certeza que o amaria. O amaria da maneira mais pura e sincera.

É difícil, pra não dizer impossível, conter a ansiedade que, hoje, faz-se maior que durante todos os nove meses. Procurando o significado de seu nome, encontrei “a que se purifica”. Ela ainda não chegou, mas tenho certeza, assim como tenho a certeza do meu amor por ela, que a Lavínia trará consigo luz, alegria, purificação. O nascimento de um serzinho, que dá continuidade à união de um casal, de uma família, certamente renova a esperança de quem está ao redor.

Posso afirmar que o dia 16 de julho de 2011 será um novo marco na minha vida. Vida que se dividirá em “antes e depois da Lavínia". Que ela tenha muita saúde e purifique a todos.

a titia.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

guardanapo-surpresa

Era quase meia-noite, remexendo numa gaveta meio emperrada, encontro meu canudo azul-marinho do diploma do colegial. Forcei um pouquinho, afinal era ele quem impedia a gaveta de abrir e fechar normalmente.
Pra minha surpresa a tampa se abriu e, lá dentro, vi um pedaçinho de guardanapo. Sim, um guardanapo dentro do meu canudo do colegial, que recebi a quase uma década atrás. Logo imaginei que alguma mensagem esquecida no tempo estaria ali. Foi quando puxei o guardanapo, já com aspecto envelhecido e... Estavam ali, naquele pedaçinho de papel, com diferentes letras, as assinaturas dos meus familiares que foram assistir à colação de grau. Entre ex-namorada de primo, parentes do interior, dois nomes me chamaram a atenção: o do meu avô, com sua caligrafia inconfundível, e o do meu tio, que não apenas escreveu seu nome, mas colocou: "com carinho para minha sobrinha querida". Ele, que foi como um segundo pai pra mim, teria feito aniversário antes de ontem.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

gustavo, gênio!

Pérolas de uma pessoinha no auge de seus 4 anos:

Na missa de Santo Antônio: "vovó, o papai do céu não mora no céu?". Mora sim, gu. "Então por que falam que aqui (igreja) é a casa dele?"

Continua: “se eu pegar um foguete e for até o céu, eu vou encontrar com ele?”

“Olha, a vovó ta com blusa de calça jeans (jaqueta jeans)”

“Olha, a porteira do shopping é de canudinho (cancela)”

“Tata, se cortarem meu pipi, eu vou fazer xixi pelo bumbum?”

“é verdade que se tirar toda a água da barriga, a gente morre?”

vendo o álbum de casamento dos meus pais: "mãe, por que a tata (eu!) tá casando com o vovô?"

terça-feira, 31 de maio de 2011

Romantismo. Ele ainda existe?



Será que ele sobreviveu a décadas de novas tecnologias, tempo escasso e relações cada vez mais superficiais? Não falo em abrir a porta do carro ou puxar a cadeira para a moça se sentar. Isso, para mim, é gentileza. E, apesar de complementares, cada coisa é uma coisa. Falo daquela entrega incondicional, de surpresas adocicadas – que não precisam ser (necessariamente) pétalas de rosas colombianas despejadas do alto de um helicóptero. Uma flor num dia qualquer, um único botão já seria suficiente. Uma mensagem de texto no celular, um email com uma linda declaração, ou apenas uma bela música. Um post-it no espelho do banheiro, um jantar surpresa, uma caixinha de bombom sob o travesseiro, um passeio inesperado. Falo da delicadeza de gestos pequenos, de declarações singelas, mas que carregam grandes emoções. Gestos que demonstram que a pessoa parou sua atribulada rotina e pensou numa forma inusitada (ou não) de agradar a outra. Sem a óbvia mesmice cotidiana.


Foto: campanha do café Três Corações